Milão 2008 – Tendências e apostas para futuro do setor

Entre os dias 16 e 21 de abril, a cidade de Milão (Itália) recebe Arquitetos e Designers de Interiores de todo o mundo para a 47ª edição do Salão Internacional do Móvel, 17ª Eurocucina, o novo Salão do Trabalho (haverá também a 14ª Bienal Internacional do Ambiente de Trabalho), o 2º Salão Internacional de Banheiros, o 22º Salão Internacional de Complementos para Decoração e o Salone Satellite (dedicado aos jovens).

Com tantos eventos é preciso muito fôlego para caminhar pelos 220 mil metros quadrados destinados às exposições. Olhos atentos à excelência dos produtos, grande variedade de produtos e materiais, cenografia dos estandes e principais eventos que acontecem simultaneamente e transformam a cidade na capital mundial do Design.

Móveis Milão 2008

Entre as surpresas reservadas aos visitantes está o Castelo Sforzesco, que apresentará um artista de fama internacional e um ícone do patrimônio cultural de Milão e da Itália.
Mas o que se pode antecipar em relação às tendências de 2008?

O futuro diferente do que se previa

Compreender a expressão física da casa no futuro significa, antes de tudo, reconhecer de modo iluminista o processo da tecnologia, a presença da plataforma digital e da comunicação como aspectos centrais. Segundo Francesco Morace, sociólogo e pesquisador do Future Concept Lab (Milão), diferente do que se imaginava nos anos 60, que as atividades domésticas seriam mecanizadas, o que se nota é a presença invasiva da tecnologia voltada para o conforto, a proteção, a socialização e a expressão pessoal.

O ambiente doméstico no futuro será uma cartola cheia de surpresas, uma contínua oscilação entre o material e o imaterial. As qualidades estrutural e física serão próximas das existentes hoje na Arquitetura, caracterizadas pela fruição do espaço mais flexível e informal. De fato este paralelismo apropriado pela casa do futuro é o modelo da habitação japonesa, onde no projeto de interiores destaca-se a simplicidade, a funcionalidade e a integração.

Se na década passada o cocconing (encasulamento) parecia inevitável, hoje é considerado morto. Na verdade, foi substituído pela decoração convidativa, pela criação de espaços de convívio. A casa tende a tornar-se, cada vez mais, um local de encontro, de troca, de relações mesmo que virtuais, entre a família e os amigos.

Peças como a Sacco (Zanotta – 1968) e a cadeira Coconut (desenhada em 1955 por George Nelson para a Herman Miller, que entra agora em produção), graças às suas características de uso, são consideradas facilitadores e estimuladores da convivência, seja em casa ou no ambiente de trabalho. Outro exemplo de produto que deverá atender a esta tendência é a Smartie, uma poltrona desenhada por Michael Young para a Cappelini, que se integra livre de vínculos formais.

Para os banheiros, novamente o exemplo japonês será modelo, sob a forma de um espaço de convivência (como nas antigas termas) mais amplo e acolhedor, com peças de design, dotados de hidromassagens e outros opcionais – não só para a classe mais alta, mas para uma parcela mais ampla da população.

Com o fim da ‘era do cocconing’ as pessoas passam a buscar espaços mais amplos, confortáveis, estimulantes e que acompanham as diversas atividades nas mais diferentes ocasiões. Dos finais de semana, onde se cozinha para os amigos, à necessidade de funcionalidade para o dia-a-dia. De uma quarta-feira, onde sozinho se assiste ao último episódio de Lost descarregado da internet em tempo real. Da sexta-feira dedicada à leitura de um best seller sobre a poltrona preferida e à luz de uma luminária com design que até custou caro, mas é um investimento para o resto da vida…

Estas cenas estão presentes em todo o mundo. E neste horizonte, os móveis, complementos, eletrodomésticos, revestimentos, enfim, tudo deverá conciliar funções e inovações, com durabilidade e design. Nos próximos dois anos as fronteiras entre forma e função, o Design, não será mais para poucos eleitos. Sobretudo a tecnologia não será pautada por um único estilo (high-tech), mas um meio termo fruitivo para uma nova domesticidade.

Fonte: https://www.nucleodecoracao.com.br

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